sábado, 8 de maio de 2010

Adeus a Memélia


Sou fã de Chico Buarque, desde sempre! Mas não é só por causa da boa música, ou da poesia das suas letras (Chico desabafou em um DVD que eu assisti recentemente, acho que foi no “Palavra Encantada” , que não gosta de ser chamado de poeta, porque não é um, mas mesmo assim não consigo pensar nele e não lembrar de poesia). Adoro Chico, por tudo, por sua simplicidade, convicções políticas (iguais às minhas), pelo seu talento também para a literatura, pelo seu passado de resistência e pelo que ele representa, até hoje, para muitas pessoas. Mas o motivo deste textinho não é para ficar me derramando em elogios, na verdade é um lamento. Quero lamentar e registrar aqui o dia da morte da mãe do meu querido ídolo, dona Maria Amélia Alvim Buarque de Holanda, que faleceu na madrugada da quinta-feira, dia 6 de maio, aos 100 anos de idade.
É uma grande pena, afinal a perda foi tão perto do dia das mães, apesar de achar que Chico não leva muito em conta essa data, que, no fundo, é uma criação comercial. Porém, neste domingo, milhares de pessoas estarão celebrando e homenageando suas mães, e deve ser, com certeza, triste não ter a sua por perto, para pelo menos dar um beijo.
Dona Amélia, uma grande mulher, era viúva do historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Ela morreu tranquilamente, enquanto dormia, na sua casa, em Copacabana (Rio de Janeiro). No auge dos seus 100 ano, ela não tinha nenhum problema de saúde, apenas chegou a hora dela, ou como alguns gostam de falar: ela terminou sua missão!
Memélia, como era conhecida (apelido dado por sua neta, a também famosa Bebel Gilberto), foi velada em cerimônia discreta, como ela, restrita à família e aos amigos e seu corpo foi cremado hoje (sábado dia 08 de maio), como aconteceu com o seu marido, que faleceu em abril de 1982, aos 79 anos, em São Paulo.
Pessoas que admiro muito faziam parte do círculo de amizade de Memélia, como o arquiteto Oscar Niemeyer, 102, e o nosso genial presidente Lula, que afirmou: “mesmo sendo filha de família tradicional, durante toda a vida, lutou e apoiou as lutas pela liberdade e por uma sociedade mais igualitária". Lula participou das comemorações do centenário de Memélia, meses atrás.

HISTÓRIA
Memélia nasceu no Rio, em 25 de janeiro de 1910. Morou em Laranjeiras, no Cosme Velho e, a partir dos cinco anos, em Copacabana. Aos oito já era torcedora fanática do Fluminense -paixão transmitida ao filho Chico - e chegava a telefonar para o clube perguntando o resultado dos jogos. "Mamãe me achava meio maluquinha", contou, em 1997, em entrevista à revista "TPM".
Foi durante um baile de Carnaval, aos 26 anos, que Memélia conheceu Sérgio Buarque de Holanda. "Antes de casar, eu já senti que estava muito "emparceirada' com ele", disse ela. "Pensávamos do mesmo jeito, eu não fazia questão de ser rica, tinha muita admiração pelo trabalho dele."
Durante as décadas em que viveram juntos, Memélia cuidava da casa e dos sete filhos - que renderam 14 netos e 14 bisnetos -, enquanto o marido produzia obras como "Raízes do Brasil", cujos originais ela teve o privilégio de ler em primeira mão. "Acho que a coisa mais bonita de Sérgio era o amor dele pelo trabalho, a vibração com que fazia as coisas”, dizia.

2 comentários:

Fellipe disse...

Viver 100 anos é uma dádiva, e chegar a essa idade de forma lúcida, como dona Memélia, é algo para poucos. O segredo deve ser manter a mente ocupada. Pelo visto, a velinha tinha muito do que se ocupar. Tenho certeza de que tu chega lá também, amor!

Fellipe disse...

Corrigindo, "velhinha".