Sete meses se passaram desde a última vez em que escrevi aqui, nesse tempo muitas coisas aconteceram, coisas boas e outras nem tanto, mas tudo foi importante para que eu compreendesse melhor o que é viver e os riscos desta grande aventura. É preciso ter um dom, uma verdadeira vocação para seguir em frente quando determinados acontecimentos mudam o rumo do caminho que desejávamos. A sorte do ser humano é que, na minha opinião, todos têm essa vocação de viver, dada por Deus. Mas isso não é o bastante, é preciso ter uma grandiosidade de espírito, uma generosidade de amor e muita sabedoria, compreensão e fé para encontrar esse dom dentro de nós mesmos.
O mais complicado disso é que essa busca normalmente se dá nos momentos mais difíceis e alguns se perdem nessa jornada. Esse dom, que muitas pessoas também chamam de força interior, algo em que a gente se agarra no momento de sofrimento e consegue levantar a cabeça, é uma ferramenta de sobrevivência e nos ajuda a não desistir da vida.
Um dos fatos mais marcantes e sofridos desses sete meses em que fiquei longe foi a morte de uma criança, um recém-nascido, que eu nem cheguei a ver fora da barriguinha da mãe dele, mas que conheci bem, vi seu desenvolvimento e a alegria que ele sentia de ser tão amado e desejado por seus pais. Vi tudo isso não apenas pelas piruetas que eram visíveis, não precisava nem tocar na barriga, mas pela energia incrível que ele me transmitia através da sua mãezinha. Ele agora é um anjo especial de Deus e está no céu olhando por todos nós e, principalmente, por seus pais, que ainda sofrem muito com a sua partida.
Contei isso para mostrar um exemplo de dom, vocação ou força interior encontrada e bem usada. A mãe desse pequeno anjo é uma boa amiga, uma pessoa bastante iluminada e que não merecia tamanho sofrimento (acho que ninguém nesse mundo merece algo assim), mas ela é tão iluminada e forte que está seguindo em frente de uma maneira que me deixa encantada, eu tenho um orgulho danado dela, porque ela me ensinou que Deus é um pai maravilhoso, que nos conforta das coisas que a vida apronta com a gente. Um dia, quando chegar a minha hora de ir para o céu, vou agradecer a esse anjinho pela linda lição e por ter me dado uma amiga tão querida.