sábado, 30 de maio de 2009

Carpe dien


O tempo começou a voar para mim, de repente virei uma mulher cheia de responsabilidades. Hoje eu sou mãe, esposa, dona de casa e jornalista, isso sem contar com o que eu já era antes (filha, irmã, neta, sobrinha, amiga etc). Às vezes, quando consigo parar um pouco, reflito sobre o que já passou e a impressão que eu tenho é que tudo o que vivi aconteceu ontem, claro que não faz uma “eternidade”, só tenho 26 anos, mas parece que faz muito menos do que isso.
Consigo lembrar claramente de um dia que acordei à noite, depois de ter um sonho ruim, e o quarto que eu dividia com a minha irmã estava escuro. Fiquei encolhidinha embaixo do lençol, com muito medo (a noite e o escuro sempre foram um problema para mim e ainda são, o tempo que leva do momento em que me deito até quando consigo dormir é um martírio, penso muita besteira). Nesse dia senti medo da morte, da minha própria, mesmo que fosse acontecer dali a muito tempo. Acho que devia ter uns 9 anos e, apesar do meu medo ser de não ter nada depois da morte, medo que Deus não existisse, comecei a rezar, pedi para que o tempo passasse logo, para eu virar uma adulta e deixar de ter medo.
Parece que Deus atendeu minhas súplicas, cresci, foi muito rápido, mas, infelizmente, o pedido veio incompleto: continuo sentindo medo de muitas coisas, inclusive da morte, mas agora não é mais da minha, é a das pessoas que amo. E sobre acreditar em Deus... bem, não tenho mais como duvidar dele, já foram muitas bênçãos recebidas.
Na minha vida o tempo virou ouro, principalmente porque os bons momentos são os que passam mais rapidamente. As horas com meu filho e meu marido eu nem sinto, um final de semana voa, mas dois dias de trabalho se arrastam, é sempre assim.
Reitero, o tempo está correndo mais para mim agora, isso porque hoje eu o percebo melhor, o crescimento e desenvolvimento desenfreado do meu filho não me deixa esquecer que a vida está seguindo, sem piedade. Lembro que quando descobri que estava grávida, algumas mulheres, já mães, me disseram: “Amanda curta esse momento da sua vida, porque acaba em um ‘piscar de olhos’”. Pois bem, devia ter seguido à risca os conselhos, porque foi muito, muito rápido, eu nem senti direito e Francisco já tem 1 ano. Aquele bebezinho que eu vi pela primeira vez, ainda dentro do meu útero, e que parecia mais um peixinho com um coração acelerado, agora anda a casa inteira, mexe em tudo é muito inteligente, sapeca, lindo e, apesar de tão pequeno, ocupa um espaço enorme na nossa casa e nas nossas vidas.
Pensado no que já passou e vendo para onde a vida me trouxe, tenho plena certeza de que, se eu pudesse recomeçar, faria tudo igual, ou melhor, só mudarias as vezes em que magoei as pessoas que eu amo. Contudo, alguns momentos eu viveria melhor, mais devagar, com mais cuidado, para gravar bem na minha memória.
Ainda bem que eu percebi o tempo bem a tempo de aproveitá-lo e vou começar a fazer isso agorinha...