terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Carnaval melhor do meu Brasil

Já estou morrendo de saudade!


“Falam tanto que meu bloco está
Dando adeus prá nunca mais sair
E depois que ele desfilar
Do seu povo vai se despedir
No regresso de não mais voltar
Suas pastoras vão pedir:
Não deixem não
Que um bloco campeão
Guarde no peito a dor de não cantar
Um bloco a mais
É um sonho que se faz
Nos pastoris da vida singular
É lindo ver, o dia amanhecer
Com violões e pastorinhas mil
Dizendo bem
Que o Recife tem
O carnaval melhor do meu Brasil”

Último Regresso
(Getúlio Cavalcanti)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Recifense praticante

Em Recife já é carnaval, desde o começo de fevereiro, e esta época me faz lembrar do orgulho que tenho de ser recifense. E não é apenas por causa do caldeirão de cultura que aflora ainda mais neste período do ano, afinal essa diversidade e riqueza cultural não é uma exclusividade desta cidade, é de todo o Pernambuco. Mas Recife, por ser a capital deste Estado maravilhoso, torna-se o palco da incrível manifestação popular (que aqui não se resume em escola de samba). É essa capacidade de reunir tudo o que há de melhor em Pernambuco que me faz ser apaixonada pelo Recife e ser uma recifense praticante (leia a definição no fim do texto).
Aqui tem caboclinho de Goiana, papa-angus de Bezerros, caretas de Triunfo, caiporas de Pesqueira, além de muito frevo, maracatu, ciranda, afoxé e uma infinidade de outros ritmos. Uma alegria inexplicável toma conta de mim quando se aproximam esses quatro dias que enchem minha cidade de tanto sonho e fantasia.
Eu bem que queria, mas não é possível descrever o sentimento de participar da Noite dos Tambores Silenciosos, no Pátio do Terço, ou de assistir ao desfile apaixonado do bloco da Saudade. É de chorar de emoção ver a abertura do Carnaval do Recife, ao som de dezenas de nações de maracatus, comandadas por nada mais, nada menos do que o nosso maravilhoso Naná Vasconcelos. E de arrepiar quando presenciamos uma multidão não se conter ao ouvir um frevo de Capiba e cair na folia. É lindo, é mais que lindo!
Me orgulho do Recife, por sua beleza, seus prédios antigos, suas pontes, sua história gloriosa. Amo essa cidade pela intensidade do seu dia e a riqueza da sua noite. Adoro o povo recifense por sua fé e por sua alegria. Idolatro os mestres e poetas deste lugar abençoado. É o meu Recife, meu e de Frei Caneca, Ascenço Ferreira, Nelson Ferreira, Brennand, Canibal, Capiba, João Cabral de Melo Neto, Chico Science, Batutas de São José, Mestre Salú, Ariano, Lenine, Silvério, Lula, Nêna, Zero Quatro, Roger, Nação Zumbi, Nação Pernambuco, Velho Mangaba, Faces do Subúrbio, entre tantos outros.

Lenine e Lula Queirogua escreveram e eu assino em baixo:

“Minha cidade
menina dos olhos do mar
dos rios que levam meu coração
do sol que começa a raiar

é por você que eu peço na minha loa
por essa gente tão boa
abre um sorriso e canta

Minha cidade
das vilas, dos manguezais
dos altos e dos coqueiros
da fé que move o futuro
oh, Conceição, Senhora, abençoai
o meu Recife que só quer crescer e ser feliz

Recife eu te dou meu coração
Meu coração vai nas águas do rio

Olha o Recife da grande festa popular
dos bravos guerreiros que a história nos deu
dos arranha-céus e sobrados

É pra você que a gente oferece a loa
por essa terra tão boa abre a janela e canta
Minha cidade menina dos olhos do mar
dos mascates, dos mercados
das pontes dos tempos de Holanda
oh, Conceição, senhora, abençoai
o meu Recife que só quer crescer e ser feliz”


* Definição de Recifense Praticante: adjetivo, multigêneros. Pessoa que vive o Recife de forma apaixonada, enlouquece quando escuta um frevo, adora caldinho de boteco, bebe água de coco em Boa Viagem, toma café da manhã nos mercados e ama ver o Recife do alto dos morros. Torce por time da cidade, veste fantasia no Carnaval, vai ao desfile do Galo da Madrugada e dança ao som da praieira. Acredita que o oceano Atlântico nasce das águas do Capibaribe e Beberibe e não tem duvida: o Mundo começa no Recife.