sábado, 24 de janeiro de 2009

Israelenses e palestinos: vilões ou vítimas?

Finalmente consegui um tempinho para escrever neste blog. O ano começou tumultuado no jornal, muita coisa acontecendo pelo mundo afora e tudo notícia, aí já viu?! Janeiro está sendo um mês longo! Já fiz tanta coisa, parece que faz uma eternidade que entramos em 2009. Pensei várias vezes em escrever um texto sobre um episódio que tristemente marcou o início deste ano, mas não deu tempo enquanto ele acontecia (no auge da minha fúria), justamente por conta da cobertura desse fato. Mas, antes tarde do que nunca!
Não é nenhuma novidade o que acontece no Oriente Médio. Há mais de um século, judeus e palestinos se engalfinham naquela região. Mas não tem como alguém se acostumar (ocidentais, nem orientais de qualquer religião) com milhares de inocentes morrendo em nome de um “ideal maior” que nem deles é. Quem tem o direito de matar dezenas de crianças? Quem tem o direito de jogar com a vida delas? Pois é isso que estão fazendo! Não sei quem tem razão, quem chegou primeiro naquele pedaço de chão (que já foi só Palestina e agora é Faixa de Gaza, Cisjordânia e Israel) para se dizer dono dele. Acho até que ninguém sabe, nem mesmo os grandes estudiosos sobre o assunto, nem mesmo os dirigentes das Nações Unidas (ONU).
O conflito israelo-palestino é uma verdadeira “bola de neve”, com o passar dos anos vai ficando maior. Árabes palestinos dizem que toda aquela região pertencia a eles. Acusam os judeus israelenses de serem invasores e de estarem promovendo um genocídio. Não tiro totalmente a razão desse povo! Eles passaram séculos sendo dominados por vários povos, mais fortes e organizados belicamente. A Palestina já passou pelas mãos de babilônios, romanos, otomanos e quando seus cidadãos pensaram que ficariam livres, foram traídos pelos britânicos (que fizeram os palestinos acreditarem que iriam lutar por sua independência, mas tinham em mente um maquiavélico plano para colonizar aquela região e extrair o petróleo, abundante no Oriente Médio).
Para completar, vem uma entidade mundial (que tira autoridade não sei de onde) e simplesmente decreta que a Palestina deve ser dividida em dois Estados: um judeu e outro palestino. Aí eu me pergunto, como administrar gente estranha se metendo na sua casa e dizendo que agora ela tem que ser dividido com outras pessoas completamente diferentes de você, com costumes opostos aos seus? Fácil é generalizar e chamar todos os muçulmanos de terroristas!
O terrorismo existe, mas não é só no Oriente Médio. Eu diria que existem dois tipos de terrorismo: um lícito e um ilícito. Vamos tomar como exemplo o exército americano que, há alguns anos, com a desculpa de que iria “lutar contra o terror”, invadiu o Iraque e matou centenas de civis (além dos seus próprios soldados). É importante lembrar que os EUA invadiram o Iraque afirmando que eles tinham armas de destruição em massa. Pois bem, seis anos se passaram e quem foram os verdadeiros terroristas? Os americanos mataram, torturaram, perseguiram e não conseguiram nada com isso, aliás conseguiram sim... aumentar a ira dos radicais daquelas bandas (os terroristas ilícitos). Um feito heróico, concordam?
Algumas vezes acho que o governo americano acredita que a população mundial é tão estúpida e alienada quanto a sua própria e que eles podem fazer qualquer barbaridade que todo mundo vai achar lindo! Pelo amor de Deus, quem é ingênuo o suficiente para acreditar que os EUA estão preocupados com o futuro da humanidade?
Quem tem o mínimo de informação sabe da dependência americana do petróleo do Oriente Médio. Os americanos estão se lixando para Osama Bin Laden, o que eles querem é manter aquele povo desestruturado (talvez colonizado seja a palavra certa). Afinal, como se explica países tão ricos em um fóssil tão almejado palas maiores potências do mundo, serem tão miseráveis como são? Simples: é a mesma explicação para um país tão cheio de riquezas naturais como o Brasil, após mais de 500 anos da sua descoberta, estar ensaiando um desenvolvimento: a exploração alheia.
Na minha humilde opinião, Israel é o instrumento desestruturador, que serve para manter aquele povo em guerra constante e que despista a opinião publica dos verdadeiros culpados.
Por outro lado, os líderes islâmicos têm uma enorme parcela de culpa no que acontece naquela região. Há mentes brilhantes no Oriente Médio que manipulam a massa ignorante e sofrida. Entretanto, são mentes consumidas por um radicalismo religioso que se confunde com o ato de governar: são as Teocracias, uma mistura perigosa de poder e religião (essa junção já derramou muito sangue inocente em outras situações, como no caso da Santa Inquisição, na Idade Média).
Os radicais islâmicos acreditam que quem não os segue são infiéis e não deveriam existir. Esse sentimento, estimulado pelos ataques ocidentais, deveriam ser combatidos pelos líderes não-radicais daquela região. Alguém precisa fazer esse povo enxergar que a luta armada só leva a mais destruição e miséria e que um acordo de paz com Israel seria meio caminho andado para uma vida melhor. Afinal, os judeus têm todo o interesse na paz, que país quer viver eternamente sendo bombardeado? Uma visão menos míope daria a exata noção aos povos muçulmanos de que Israel é um pedaço de chão árido de aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados (o que equivale ao estado de Sergipe) e que nem petróleo tem, comparado com a imensidão de 13 milhões de quilômetros quadrados que é o território do Oriente Médio (o equivalente a toda América Latina). Será que não há espaço para o pequeno Estado Judeu em toda essa extensão?
Cheguei a ouvir absurdos como: “os Israelenses estão se vingando, no povo palestino, de tudo o que passaram com nazismo alemão”. E pior, já ouvir gente dizer que o holocausto (que abateu mais de seis milhões de judeus) é uma grande invenção, uma mentira, que nunca aconteceu e que os judeus contam essa “lorota” para que o mundo tenha piedade deles e acreditem na legitimidade de Israel. Vamos combinar que a galera pira, de verdade!
Em primeiro lugar, não se compara o que aconteceu no nazismo com o que acontece no Oriente Médio. É completamente diferente. Islâmicos e judeus se atacam mutuamente. Por mais que o poder de fogo de Israel seja infinitamente maior do que o dos grupos radicais, que iniciam as guerras em Gaza, por exemplo. As bombas artesanais do Hamas, lançadas contra Israel, também ameaçam civis inocentes e qualquer país tem o direito de defender sua população. Na Alemanha nazista, os judeus não atiravam bombas contra os cidadãos alemães. Eles foram mortos porque eram considerados uma raça inferior e ponto.
A defesa do seu povo explica os ataques Israelenses, mas não legitima a morte de inocentes, especialmente crianças, da Palestina. Uma vez ouvi de um judeu as seguintes palavras: “Israel luta contra um inimigo que não tem medo de morrer. Ao contrário, um inimigo que acredita que morrer lutando pela sua pátria ou religião faz dele um mártir. Os radicais-islâmicos não temem pelas vidas dos civis, acreditam que todos serão mártires e que irão para o paraíso. Por isso tantos inocentes morrem, ninguém os defende”.