sábado, 13 de dezembro de 2008

O ser jornalista

Andei meio sem tempo de escrever nos últimos dias, aliás “falta de tempo” é a expressão chave da minha vida. Não será incomum que este blog fique, algumas semanas, sem uma nova postagem sequer. Trabalho muito, muito mesmo! O dia-a-dia de uma redação de jornal é algo inacreditável, o volume de trabalho diário é enorme e, o que é mais desesperador, no dia seguinte zera tudo, um dia não ajuda o outro. Em um jornal de circulação diária (como o que eu trabalho) não tem essa de “vou adiantar o serviço para amanhã ficar mais folgado”, ou então “vou dobrar hoje e folgar amanhã”, isso não existe mesmo.
Não interessa o quanto você trabalhou no dia anterior, o seguinte sempre pode ser muito pior. O mais interessante de tudo isso é que fazer jornalismo vicia, contamina a sua vida, ultrapassa as barreiras físicas do trabalho. Ser jornalista (especialmente para aqueles que vivenciam a rotina de um veículo de comunicação) deixa de ser apenas uma profissão, se transforma em uma personalidade, um jeito jornalista de ser. Não quero dizer com isso que essa categoria se massifica em uma única característica, ao contrário, o ser jornalista se manifesta das mais diferentes e inusitadas maneiras. Um mesmo jornalista, por exemplo, pode ter muitas “caras” e isso pode ser tanto uma qualidade, como um defeito.
No meu caso (claro que eu sou suspeita, cabe às pessoas que me conhecem me julgar), procuro usar as minhas “caras” para o bem (esse “bem” também é algo subjetivo). Na minha rotina de trabalho, algumas vezes, não posso me mostrar como sou (ou estou). Ali, como em qualquer outro trabalho, sou uma profissional, no entanto, a minha atividade depende de outras pessoas. Para redigir uma matéria ou reportagem eu preciso das fontes (pessoas que vão me passar informações), elas são como plantinhas, precisam ser cultivadas e cativadas para dar frutos. Concluindo, no trabalho “piso em ovos” diariamente, para “arrancar notícias”.
Com o tempo, entretanto, essa tarefa deixa de ser difícil e, em alguns casos, fica até divertida, emocionante. É exatamente usando as nossas “caras” que conseguimos levar as fontes, autoridades, governantes e quem quer que seja entrevistado a dizer o que julgamos ser uma informação relevante para a sociedade. E aí mora o perigo da profissão, o ideal é que o repórter conduza a entrevista e não a induza. Os problemas vão além da indução, afinal, depois da apuração, o repórter vai organizar as idéias e escrever o seu texto, é preciso ter muito cuidado nesse momento. Qualquer deslize (que pode ser um deslize de moral) pode deixar a matéria como o repórter gostaria que ela fosse e não como realmente ela é. Isso se chama distorcer a informação e é bastante condenável.
Mas, para ser sincera, notícia genuinamente imparcial definitivamente não existe, é humanamente impossível. Só o fato das informações serem processadas pelo nosso cérebro e traduzidas em um texto, já sofrem interferência e, portanto, o produto do nosso trabalho, não passa de interpretação dos fatos e não dos fatos em si. ( Daqui a pouco vou acabar escrevendo uma tese sobre esse tema...eheheh).
Já escutei, algumas vezes, um ditado que é mais ou menos assim: “os médicos acham que são deuses, os jornalistas têm certeza”. Concordo, mas não para todos os casos. Jornalista é sim uma “raça”, que pode ser desprezível ou fascinante, depende do ponto de vista e do jornalista também, é claro. O fato é que vivemos sob pressão 24h por dia e isso mexe com a pessoa (será que estou me fazendo entender?) Não quero justificar os meios com os fins, mas cada dia é uma corrida incessante, um querendo furar o outro (furo de reportagem), um querendo ser melhor que o outro. A vaidade também é um lado vulnerável do jornalista, que o faz vacilar muito. Tem gente, por ai, que se perdeu totalmente por conta deste pecado capital.
Apesar de tudo, vou seguindo jornalista mesmo, até quando Deus quiser! Pensando na minha vida, às vezes acredito que não fui eu quem escolheu esse caminho, e sim ele que me escolheu! Talvez não seja por acaso, talvez o destino me reserve uma grata surpresa. Quantos jornalistas contribuíram com o avanço da humanidade, posso fazer isso também um dia!

2 comentários:

Unknown disse...

Quando eu crescer,quero escrever tão bonito como vc!!!! rsrrsr
Muito orgulhosa do seu talento e da sua simplicidade,declaro-me a tia desconhecida mais orgulhosa do mundo!
Beijos
Sua tia Marli

Anônimo disse...

E olhe que ainda debatem a obrigatoriedade do nosso diploma... Vergonhoso!
Amor, seus textos estão cada vez melhores. Mas confesso que gosto mais dos que tratam de assuntos mais leves. Ou então daqueles que falam do nosso Chicão! :)