sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Musicalizando


Música sempre foi fundamental para mim, ela embalou vários momentos especiais. Costumava dizer, quando mais nova, que minha vida tinha uma trilha sonora. Até hoje, quando escuto uma música que ouvia em determinada fase, tenho a impressão de que voltam todos os sentimentos e sensações que envolviam aquela situação.
Já li em algum lugar, ou vi na televisão, sobre a “memória olfativa”, cheiro ou odores que nos remetem a momentos e pessoas. Pois bem, no meu caso a memória mais evidente é a “auditiva”. Sabe aquela história de “a nossa música”, profundamente cafona, mas presente “nas melhores famílias”? Carrego essa cafonice comigo por toda a vida, chega a ser inevitável, não consigo deixar de fazer essa relação entre pessoas especiais, ou momentos marcantes e uma música.
Recentemente, durante a gestação do meu filho, Francisco, mais especificamente no início da gravidez, no auge do enjôo, eu escutava muito Vinícius de Moraes, aquela fase do poeta ligada ao candomblé e a Bahia. São músicas que eu adoro (ou adorava) e queria que Francisco ouvisse desde o útero. Porém, o “feitiço virou contra o feiticeiro”, hoje só de escutar a introdução de uma dessas músicas sinto, imediatamente, um mal estar, todo aquele enjôo volta.
Outro exemplo, desta vez mais positivo, foi o dia em que beijei pela primeira vez o meu marido. O fato ocorreu durante um show de Nando Reis, ainda lembro a data, 5 de novembro de 2005, e não preciso dizer que foi inesquecível, afinal estava beijando o homem da minha vida. Apesar de não ser fã do artista, desde então passei a me senti muito bem ouvindo uma de suas músicas.
O início do namoro com Fellipe, meu marido, também foi um momento muito “musical”. Ele também tem uma ligação forte com a música, aliás, toda a sua família tem. Nesse começo de namoro, ouvíamos muito Chico Buarque. Um CD em especial me lembra esse momento, aquele com Chico e Maria Bethânia cantando juntos.
Foi sempre assim, uma música, uma sensação. Tive certa influência dos meus pais que, quando jovens, adoravam dançar e ouvir música. Meu pai, que é uma pessoa, no mínimo excêntrica, escutava os discos de Maria Bethânia nas alturas e cantava junto com ela, quase incorporando a intérprete. Já minha mãe, que é o oposto do meu pai, muito mansa e de olhar doce, sempre cantarolava baixinho e embalava minha infância, era meu rouxinol.
Cresci ouvindo música boa, o que não significa que sempre foi assim. Como a maioria dos mortais, já dei minhas escorregadas, principalmente na adolescência, quando cheguei a gostar de Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, e até Ana Carolina. Mas foi uma fase bem curta, graças a Deus! Não discrimino ninguém que gosta deste tipo de música, ou até de coisas que eu considero muito pior, só que eu não escuto, não consigo achar bom, é um fato. E, antes que me julguem, não sou nem um pouco bitolada à MPB, por exemplo, sou até bem eclética. Adoro samba, reggae, rock, mangue beat, frevo, ciranda, chorinho, até um forrozinho pé-de-serra.
Quando tinha 10 anos de idade, participei de um encontro católico do meu bairro, era um encontro de adolescentes, muito animado e cheio de música (religiosas, claro). Fiz muitos amigos nesse encontro, a maioria deles tocava violão e, por isso, passei a me interessar pelo instrumento. Mais que depressa, passei a “infernizar” meus pais para ganhar um violão e aprender a tocar, isso aos 10 anos. Seis anos depois meu pedido foi atendido, ganhei um Di Giorgio, lindo de morrer! Ele passou a ser o meu xodó, o amor da minha vida. Depois que casei, passou a ser o xodó do meu marido também e, agora, dez anos depois, quem é louco pelo instrumento é nosso filhote. Francisco não pode ver o violão que se joga para puxar as cordas e ouvir o som que elas emitem. É a musicalidade passando de geração em geração...

5 comentários:

Stela disse...

Ei filhotita...lindo post.

Parabéns!!!

saudades

Unknown disse...

Linda menina:

Nosso conhecimento pessoal é nulo,mas me impressiona como me identifico com vc!
Primeiramente,quero te agradecer o convite para compartilhar suas idéias e sua vivência aqui no blog.
Depois te parabenizar pela grande menina-mulher que é.
Seus pais foram abençoados por Deus ao conceberem uma criatura tão inteligente e meiga como vc.
Ah!Tems isso em comum,minha memória também é auditiva,não tão apurada como a sua,mas também muito presente nos meus momentos bons e ruins.
Parabéns por tudo!!!

Anônimo disse...

Também tive minha fase negra. Axé music e pagode já fizeram parte da minha trilha sonora. Tempos curtos e bem remotos, vale salientar. Mas a boa música, ou música de qualidade, sempre esteve presente na minha vida. Quando morávamos no interior, em Timbaúba, painho sempre colocava no tocafitas do carro um Chico Buarque, Jorge Ben, Taiguara, Banda de Pau e Corda, Antônio Carlos e Jocafi, por aí... "Geni e o Zepelin" é uma música que faz lembrar dessa época. Engraçado, nem sei se já falei isso pra Amanda, mas tem um disco (é, são quase todas as músicas dele) que me lembra muito o início do nosso namoro. Chama-se Odissey and Oracle, do Zombies. Anos 60, som psicodélico e pop na medida certa. Uma música em especial, a faixa nove, "This will be our year", ou Esse vai ser nosso ano, ficou marcada. O título é bem sugestivo. Parece até que eu tava adivinhando que meses depois nos casaríamos. É isso, já escrevi demais (mais uma vez). Vou deixar pra comentar o próximo.

Anônimo disse...

Nem precisa, mas estou dizendo, que o anônimo aí de cima sou eu.

Anônimo disse...

"Meu pai, que é uma pessoa, no mínimo excêntrica"

Gostei.

Ah, Ivete Sangalo tudo bem, mas Ana Carolina é uma musicista muito boa (Vide "Eu que não sei quase nada do mar" que ela compôs pra Bethânia e "Cabide", pra Mart'nália)

Ótimo blog, prima. Beijos